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sábado, 19 de fevereiro de 2011

AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS

1)
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo muito tempo para encontrar a saída.

2)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim levo um tempão para sair.

3) 
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4) 
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5) 
Ando por outra rua.

* Autor: Nelson Portia
(transcrito do "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" de Sogyal Rinpoche)
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

INSTRUÇÕES QUE APONTAM

Às vezes colocamos nossos óculos no bolso ou na cabeça e mais tarde perguntamos: “onde estão meus óculos?”. Isso é muito comum. Procuramos em todos os outros lugares sem encontrar os óculos.

É por isso que precisamos do guru, que pode nos dizer: “Aí estão seus óculos”. Isso é tudo que os mestres de Mahamudra e Dzogchen fazem: simplesmente apontam. O que eles estão apontando é algo que você já tem. Não é algo que eles dão a você. Eles não te dão óculos novos. Eles não podem te dar óculos novos, mas podem apontar onde você pode encontrar seus próprios óculos.

Quando recebemos as instruções que apontam de nosso lama-raiz, estamos sendo introduzidos de maneira direta e nua à realidade da natureza da mente. Essas instruções se tornam muito efetivas se tivermos nos preparado para recebê-las.

[...] Apontar é como indicar no céu, quando há muitas nuvens, e dizer a alguém: “ali está o céu azul”. A pessoa vai olhar e responder: “onde?”. Você responderia: “Ali, atrás das nuvens”. A pessoa para quem você está apontando o céu azul não vai ver de primeira. Contudo, se só uma pequena porção do céu aparecer, então você pode dizer: “Veja. O céu azul é daquele jeito”.

A pessoa então tem uma experiência direta. Ele ou ela sabe por experiência que há céu azul, que estará totalmente visível quando as nuvens se forem.

Dzogchen Ponlop Rinpoche (Índia, 1965 ~)
“Mind Beyond Death”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 29/04/2010)

* transcrito de: http://samsara.blog.br/ 
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

A PSICOLOGIA BUDISTA

O físico Fritjof Capra, em seu livro O Tao da Física, nos fala que o budismo - ao contrário do hinduísmo que lhe serviu de preparação e que possui um forte colorido mitológico e ritualístico - tem um caráter e um "sabor" eminentemente psicológicos. Segundo Capra, "Buda não estava interessado em satisfazer a curiosidade humana acerca da origem do mundo, da natureza do Divino ou questões desse gênero. Ele estava preocupado exclusivamente com a situação humana, com o sofrimento e frustrações dos seres humanos. Sua doutrina, portanto, não era metafísica; era uma psicoterapia. Buda indicava a origem das frustrações humanas e a forma de superá-las. Para isso, empregou os conceitos indianos tradicionais de maya, karma, nirvana, etc., atribuindo-lhes uma interpretação psicológica renovada, dinâmica e diretamente pertinente." (Capra, 1986, p. 77). Ele havia dedicado-se a um aspecto da evolução humana: a autocompreensão para por fim ao sofrimento humano, e só a este aspecto se dedicara.

"O que hoje somos deve-se aos nossos pensamentos de ontem que condicionaram nosso comportamento, e são os nossos atuais pensamentos que constroem a nossa vida de amanhã; a nossa vida é a criação de nossa mente. Se um homem fala ou atua com a mente impura, o sofrimento lhe seguirá da mesma forma que a roda do carro segue ao animal que o arrasta". (Buddha)


Fonte:
http://pensandozen.blogspot.com/2008/07/psicologia-budista.html
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segunda-feira, 15 de março de 2010

EINSTEIN E O BUDISMO

Os elogios de Albert Einstein ao budismo costumam ser muito citados. Principalmente quando os ouvintes levam em grande consideração as conquistas materiais e científicas. Como esse:

“O budismo tem as características do que se esperaria de uma religião cósmica para o futuro.”

Já a citação a seguir é quase como um síntese do budismo:

“Um ser humano é parte de um todo chamado por nós de “Universo”, é uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos, como alguma coisa separada do resto ─ uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma forma de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas. Nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos dessa prisão alargando nossos círculos de compaixão para envolver todas as criaturas vivas e o todo da natureza em sua beleza.”

Albert Einstein, “Ideas and Opinions” , 1954, citado em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”, de Sogyal Rinpoche.

Retirado do Blog Sansara:
http://www.samsara.blog.br/2006/05/einstein-e-o-budismo.html
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quarta-feira, 10 de março de 2010

Qual a diferença entre ilusão e delusão?

São dois conceitos realmente diferentes, veja:

Ilusão: Você vê e sabe que é, ex: cinema é uma ilusão de ótica, você sabe como funciona (24 quadros por segundo etc...). Existe uma realidade subjacente da qual você tem conhecimento, você pode escapar dela por mero raciocínio.

Delusão: Você vê mas não consegue perceber a realidade subjacente. A delusão engana a experiência e impede qualquer outro raciocínio. Ex: Uma pessoa "vê" um fantasma, era um fogo de santelmo mas ela corre e se desespera, mesmo que se explique a pessoa não consegue se acalmar. A realidade que vemos é assim, mesmo que expliquemos que são nuvens de átomos, impermanentes, interdependentes, a ilusão nos toma completamente e não conseguimos nos livrar dela, é o caso do EU, você sabe que é construído, mas não adianta, ele está sempre tomando conta de você. Isto é delusão, é muito mais seriamente enganador.

Monge Genshô.

Fonte: www.chalegre.com.br/zendo/

A realidade é uma ilusão, embora bastante persistente.
Albert Einstein.
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terça-feira, 9 de março de 2010

ZEN - A VIDA DO MESTRE DOGEN ZENJI


Baseado na vida de Dogen Zenji (19 de Janeiro de 1200 – 22 de Setembro de 1253), um professor japonês de Zen Budista, fundador da escola Zen de Soto e filósofo importante. Abrir mão de tudo, rendendo-se ao fluxo da natureza e somente sentando-se em meditação. Isto é a essência do Budismo Zen de Dogen. No 13º século, Dogen, um jovem monge japonês viajou à China, determinado a encontrar seu verdadeiro mestre. Lá ele encontrou um monge que lhe ensinou que a meditação Zen é o verdadeiro e único caminho à iluminação. Voltando, esclarecido, ao Japão, Dogen arriscou a sua vida para divulgar o Budismo Zen, inspirando milhões de budistas que praticam ao redor do mundo hoje.

Título original: Zen
Diretor: Banmei Takahashi's
Língua original: Japonês
Duração: 127 min.

 O filme ambientado no Japão e na China, foi lançado em 10 janeiro de 2009. Retrata a vida do mestre zen budista Dogen Zenji (1200-1253 DC), durante o turbulento período Kamakura. Os pais de Dogen morreram quando ele ainda era muito jovem, e o desejo final de sua mãe era que ele se tornasse um monge e trabalhasse para o bem-estar de todos os seres. A experiência de ter perdido seus pais, deu uma visão especial a Dogen para a natureza fugaz da vida e desencadeou a sua busca pela iluminação. Ele viajou para a China e treinou para se tornar um mestre budista, mas quando retornou ao Japão para difundir o que ele aprendera como uma forma nova de budismo, foi recebido com muita resistência e repressão.


Assisti ontem a noite esse auspicioso filme sobre a vida do Mestre Dogen e confesso que me tocou profundamente aumentando ainda mais meu respeito pelo Budismo e pelos ensinamentos de Buddha. É realmente um filme tocante e recomendo a todos.


Trailer no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=94n2hDg-vTg
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Oito versos que transformam a mente

Certa vez Geshe Chekawa, um monge tibetano que dominava inúmeros ensinamentos de diversas escolas, se deparou com uma tira de papel contendo um trecho de duas linhas e se maravilhou:
"Ofereça o ganho e a vitória aos outros.
Tome a perda e a derrota para si mesmo."
Então, procurou até encontrar um mestre nessas instruções: Sharawa, discípulo de Geshe Langri Thangpa (mestre Kadampa do século XII, o autor da prática). Ao questioná-lo sobre a natureza daquelas linhas, teve a resposta:

"- Goste ou não desse ensinamento, você só pode
dispensá-lo
se não quiser alcançar o Estado de Buda."
Sharawa aceitou Chekawa como discípulo e o instruiu durante anos nessa prática que era a sua principal, denominada “Os Oito Versos que Transformam a Mente” (ou “Os Oito Versos de Langri Thangpa”). Após 6 anos de treinamento constante, o discípulo se realizou, eliminando todo e qualquer traço de egoísmo. Os oito versos são:

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

1. Gostar de ser elogiado
2. Não gostar de ser criticado
3. Gostar de ser feliz
4. Não gostar de ser infeliz
5. Gostar de ganhar
6. Não gostar de perder
7. Desejar ser famoso
8. Não gostar de ser ignorado
Esse texto foi ensinado por S.S. o Dalai Lama no Brasil em abril de 2006, no templo Zu Lai, em Cotia (SP). Confira um ensinamento completo de S.S. sobre esses versos em seu site oficial.

E esse post foi inteiramente copiado do blog: Samsara
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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Combater a Preguiça

Diligência é a força vital da prática espiritual.

Shakyamuni se tornou o Buda por perseverar por três éons, e renasceu 71 vezes como um grande rei pronto a sacrificar tudo para receber os ensinamentos do Dharma.

O fruto do mérito que ele adquiriu através desses esforços é o poder extraordinário de suas bençãos.

Também foi através do esforço constante que Jetsun Milarepa, o arquétipo do praticante determinado, e todos os outros grandes mestres realizados foram capazes de se iluminar.

Um meditador incapaz de ter diligência, como um rei sem guarda-costas, é um alvo fácil para os inimigos: preguiça e emoções negativas.

A batalha pela liberação está para ser perdida. Coloquem a armadura da diligência sem demora e combatam a indolência.

(Dilgo Khyentse Rinpoche, em "The Hundred Verses of Advice")

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

As Práticas Preliminares - "Ngöndro"

Depois de um ensinamento sobre o Longchen Nyingthig Ngöndro no Vajradhara Gonpa, de 24 a 30 de dezembro de 1998, Dzongsar Khyentse Rinpoche deu esta entrevista à revista Gentle Voice:

"No Vajrayana, é muito enfatizado o conceito de se fazer uma prática preliminar antes de se envolver em coisas mais sérias, como receber iniciações. É algo muito importante a ser fazer no Vajrayana em geral. Então cada uma das escolas do buddhismo tibetano tem práticas fundamentais. Mas gostaria de esclarecer algo aqui. Muitas pessoas pensam que há um conjunto de práticas fundamentais. Mas "fundamento", obviamente, é como quando você compra uma casa; você precisa de um bom fundamento para que qualquer coisa que você construa seja estável, confiável e duradoura. Do mesmo modo, a prática fundamental da qual os buddhistas Vajrayana falam é exatamente o mesmo. É como construir um fundamento para a prática espiritual. Realmente, tudo o que fazemos antes da prática principal é uma prática fundamental, como a compaixão, o lojong ou o treinamento da mente em sete pontos. Ou até mesmo, como você pode ver na história da vida de Milarepa, construir casas, demolir as casas, construí-las de novo, coisas assim, são uma prática fundamental..."

Leia a entrevista completa em:
http://www.dharmanet.com.br/khyentse/ngondro.htm
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terça-feira, 3 de junho de 2008

Amizade com um Mestre Espiritual

"Há uma história interessante de um grupo de pessoas que resolveu estudar sob a orientação de um grande mestre tibetano. Eles já tinham estudado um pouco com outros mestres, mas se haviam determinado a não poupar esforços para estudar com aquela determinada pessoa. Estavam todos muito ansiosos por se tornarem seus alunos e por isso lhe solicitaram uma audiência, mas o grande mestre não quis aceitar nenhum deles. "Só os aceitarei com uma condição", disse ele: "se estiverem dispostos a renunciar aos seus mestres anteriores." Todos lhe rogaram encarecidamente, declarando o quanto lhe eram devotados, quão grande era a sua reputação e o quanto gostariam de estudar com ele. O mestre, porém, não quis aceitar nenhum, a menos que cumprissem a condição. Finalmente, todos, exceto um, decidiram renunciar aos mestres anteriores, com os quais, de fato, haviam aprendido muita coisa. O guru lhes pareceu muito feliz quando eles assim fizeram e pediu-lhes que todos voltassem no dia seguinte. Mas, quando voltaram, disse-lhes: "Compreendendo a hipocrisia de vocês. Da próxima vez que forem procurar outro mestre, renunciarão a mim. Por isso, fora daqui!" E enxotou-os a todos, menos ao que valorizava o que aprendera antes. A pessoa que ele aceitou já não estava mais disposta a tramas mentirosas, nem a tentar agradar o guru simulando ser diferente do que era. Se você for fazer amizade com um mestre espiritual, terá de agir com simplicidade, abertamente, de modo que a comunicação se estabeleça entre iguais, em lugar de tentar conquistar-lhe a simpatia."
do livro "Além do Materialismo Espiritual" de Chögyam Trungpa Rinpoche.

Essa história me chamou a atenção devido a minha própria vivência de já ter estado em inúmeras linhas de ensinamentos de tipo espiritual/esotérico e também por já ter estado em contado com um bom tanto de mestres, pelos quais guardo grande respeito e consideração.

Hoje, ao estar a frente na liderança do Universo Místico, também considero de grande importância o respeito e consideração pelo histórico que as pessoas trazem ao chegar em nossa sangha.
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